Aquilo que dispomos diante de nós
explorando o organizar enquanto exercício ético
Palavras-chave:
Organização da informação, Representação da informação, Fenomenologia, ArquivologiaResumo
Este artigo propõe um olhar que questione o que sejam “representar” e “organizar” enquanto formas de relacionamento com o real. Tomando como ponto de partida as práticas profissionais nas ciências da informação e, mais especialmente, na Arquivologia, são elencadas algumas perspectivas sobre o que signifique organizar e representar documentos e informações. A seguir, o artigo explora algumas reflexões que, a partir da fenomenologia de Martin Heidegger, evidenciam o que esse filósofo entende como o ser essencial da técnica e da linguagem; a fenomenologia aponta para caminhos significativos quanto ao lugar da representação e organização de informações na sociedade, desvelando a técnica como comprometimento e a linguagem como relacionamento no mundo. Cotejando tais perspectivas com alguns posicionamentos de autores contemporâneos sobre práticas éticas nas ciências da informação, o artigo aponta para o fazer arquivístico enquanto gesto que, ao reunir documentos, é capaz de doar sentido, em um jogo que reúne passado, presente e futuro.