Políticas públicas de leitura e cidadania cultural
a experiência do projeto Lugares de Ler no Espírito Santo
Palavras-chave:
Leitura, Mediação cultural, Bibliotecas comunitarias, Livro, Políticas públicasResumo
O acesso ao livro e à leitura ainda enfrenta desigualdades estruturais no Brasil, sobretudo em territórios marcados por vulnerabilidade social. Nesse contexto, o projeto Lugares de Ler surge como uma política pública transformadora, voltada à garantia do direito constitucional à leitura e à literatura no Espírito Santo. Financiado com recursos da Lei Complementar nº195/2022 – Lei Paulo Gustavo, o projeto articula ações do Plano Estadual de Cultura e do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Espírito Santo, com o objetivo de descentralizar o acesso ao livro, consolidar pontos de leitura e fortalecer redes comunitárias em diferentes regiões. Este artigo tem como objetivo apresentar a proposta e destacar sua relevância na democratização da leitura, com base nos resultados do Ciclo 1 (2024/2025), especialmente no que se refere à implantação de bibliotecas comunitárias e à formação de agentes locais de mediação da leitura. A pesquisa adota metodologia mista, combinando análise qualitativa — por meio de estudo de caso, observação participante e análise documental — com levantamento quantitativo de dados relacionados à implementação dos pontos de leitura e seus impactos nos territórios. Os resultados evidenciam avanços significativos na criação de espaços de leitura em comunidades periféricas e rurais, bem como na mobilização de sujeitos locais em torno do livro e da literatura. Conclui-se que o Lugares de Ler se consolida como uma experiência replicável de política pública cultural de base comunitária. A abertura do Ciclo 2 (2025/2026) reafirma sua relevância e potencial transformador nos territórios em que atua.