Invisibilidade midiática das doenças negligenciadas em processo de eliminação no Brasil

Autores

  • Jaqueline Neri da Silva Universidade de Brasília (UnB)
  • Dayara Janne Patriota Dutra Universidade de Brasília (UnB)
  • Luana Dias da Costa Universidade de Brasília (UnB)
  • Natália Fernandes de Andrade Universidade de Brasília (UnB)
  • Ana Valéria Machado Mendonça Universidade de Brasília (UnB)

Palavras-chave:

Comunicação em Saúde, Doenças Tropicais Negligenciadas, Desinformação, Mídia Digital

Resumo

O presente estudo analisou como as grandes mídias digitais brasileiras abordam determinadas doenças negligenciadas que estão em processo de eliminação, entre elas: hanseníase, tracoma, oncocercose, filariose linfática, geo-helmintíases e esquistossomose. Utilizando metodologia quantitativa, foram mapeadas e analisadas notícias publicadas entre 2020 e 2024, tendo o Google Notícias como principal ferramenta de busca. As informações foram sistematizadas a partir de categorias como frequência de menções, tipo de abordagem, fontes jornalísticas e uso de termos estigmatizantes. Os resultados revelaram baixa cobertura midiática sobre o tema, com predomínio de conteúdos superficiais e, em muitos casos, presença de expressões que reforçam estigmas históricos, sobretudo no que se refere à hanseníase e ao tracoma. Doenças como oncocercose e geo-helmintíases apresentaram visibilidade quase inexistente nas plataformas analisadas. Observou-se ainda que a maioria das notícias se concentra em ações institucionais e campanhas pontuais, sem aprofundar aspectos educativos ou epidemiológicos que favoreçam a conscientização da população. Essa invisibilidade na mídia compromete o acesso à informação qualificada, reforça desigualdades em saúde e enfraquece os esforços para eliminação dessas enfermidades. Por fim, o estudo evidencia a necessidade urgente de estratégias de comunicação em saúde baseadas em evidências, que combatam a desinformação e promovam o direito à informação como um eixo central da equidade.

Publicado

13.01.2026

Edição

Seção

Gestão da informação, comunicação e organização do conhecimento