Saberes vivos e orgânicos
articulações entre a Ciência da Informação e o pensamento de Nêgo Bisp
Palavras-chave:
Ciência da Informação, Inclusão Epistêmica, Saberes Orgânicos, Nêgo Bispo, DescolonizaçãoResumo
O texto explora a interseção entre a Ciência da Informação (CI) e o pensamento de Nêgo Bispo, intelectual quilombola, visando a inclusão epistêmica. O artigo apresenta-se como um ensaio introdutório, alinhando-se ao movimento das "Cotas Epistêmicas" e ao projeto "Encontro de Saberes", que promove a inserção de mestres tradicionais nas universidades. A análise da CI revela uma baixa produção sobre temáticas afro-brasileiras e indígenas e uma abordagem tímida das questões sociais, indicando que o campo ainda está aquém de seu potencial transformador. A CI é debatida entre uma re-humanização e uma ontologia comunicativa sistêmica, com bases eurocêntricas e tendências técnicas. Em contraste, Nêgo Bispo propõe uma "guerra das denominações", subvertendo a linguagem colonial e distinguindo entre "saber sintético" (colonial e do conflito) e "saber orgânico" (do diálogo e enriquecimento mútuo). Sua noção de fronteira como espaço de diálogo e a crítica ao "capitalismo cognitivo" são centrais. A aliança "descolonização-contracolonização" de José Jorge de Carvalho reflete no esquema das "três fronteiras e quatro instâncias", demonstrando como a atuação dos mestres contracoloniais é crucial para a transformação pluriepistêmica. Estratégias como as festas e a arquitetura familiar são apresentadas como formas autogestionárias de preservação dos modos de vida. O texto conclui que o pensamento de Bispo oferece à CI um caminho para transcender suas amarras e valorizar a diversidade de saberes, ampliando vozes marginalizadas e fomentando uma confluência otimista de conhecimentos.